quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Tragédia na Igreja Universal em Angola no "Culto da Virada"

Jovem mãe preocupada
 com o estado de saúde do filho
que é assistido no banco de
urgência do Hospital Américo Boavida
Foto:Kindala Manoel
   Esta notícia não está sendo muito divulgada no Brasil mas resolvi postar:
    A passagem de ano foi infeliz para muitos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus. A vigília promovida na Cidadela Desportiva de Luanda terminou em tragédia. Até ao princípio da noite de ontem estavam confirmados 16 mortos, entre os quais três crianças, com idades entre os três e quatro anos, segundo Filomena Wilson, porta-voz da comissão de asseguramento médico para a quadra festiva.
Nove vítimas morreram já no interior do Hospital Américo Boavida, uma no Hospital do Prenda e outras três, que receberam os primeiros socorros dos Serviços de Emergências Médicas, acabaram por morrer a caminho de unidades hospitalares. Outras três morreram no local da tragédia.
A directora clínica do Hospital Américo Boavida, Maria Lina Antunes, disse que as vítimas começaram a chegar por volta das 19 horas. Até às duas horas da madrugada tinham dado entrada 56 vítimas, grande parte das quais teve alta horas depois.
Na morgue do Hospital Josina Machel, até à tarde de ontem, ainda estavam por identificar os corpos de duas mulheres. Os médicos avançam, como causa de morte, a asfixia. As autópsias marcadas para hoje vão determinar as verdadeiras causas.

Motivos da tragédia    Os fiéis começaram a chegar ao local do culto no período da manhã e lotaram o primeiro anel, a pista de atletismo e os camarotes. Alguns levavam alimentos e outros não. Os que chegaram ao fim do dia já não encontraram lugar. As pessoas vinham de todos os municípios de Luanda, transportadas em autocarros alugados pela Igreja Universal. O caos começou logo no acesso ao estádio com engarrafamentos. Muitos viram-se obrigados a descer dos autocarros e caminhar a pé até à Cidadela. O director do Complexo da Cidadela, Joaquim Muaxinika, afirmou que o culto foi autorizado depois de verificadas todas as condições de viabilidade, incluindo a segurança. “Eles solicitaram o culto há mais de 20 dias e, pelos documentos apresentados, estava tudo preparado, incluindo a mobilização dos Serviços de Emergências Médicas, a Polícia Nacional, os Bombeiros e a Cruz Vermelha”, confirmou.
Testemunhas no local afirmam que todos os portões foram abertos e que, além de assistir ao culto no estádio, os fiéis podiam acompanhar através de duas telas gigantes instaladas na parte exterior.
A ansiedade fez com que a multidão concentrada no exterior do portão 3, que dá ao segundo pavilhão, se precipitasse para o interior, causando o tumulto. Algumas testemunhas dizem ter visto alguns sacos de plástico colocados ao lado da entrada, com algumas doses de suposta “água benta”. Ao entrar, cada um retirava uma porção. Com a confusão, os sacos ficaram destruídos e a água derramou, tornando o chão escorregadio e ainda mais perigosa a entrada, que já tem uma inclinação acentuada. Emília Marcos, 39 anos, não se vai esquecer tão cedo do susto. Saiu de casa com os cinco filhos. A mais velha, com 15 anos, e o mais novo um ano e três meses. No Hospital Américo Boavida, era uma mãe preocupada, principalmente com Dadão, o filho de quatro anos, colhido pela multidão.
Os outros, de 15, 12 e seis anos, tinham sido resgatados por pessoas conhecidas e estavam dentro do estádio, em segurança. Na mão, tinha o convite para a vigília, onde se lia: “Venha dar um fim a todos os problemas da sua vida – doença, miséria, desemprego, inveja, problemas na família, separação, dívidas”, etc.
O desespero aumentou quando recebeu a informação que havia uma criança, já sem vida, na sala de Pediatria com a idade de Dadão e que também trajava uma camisola do “Ben 10”. Por sorte, foi encontrar o filho a receber assistência, nos cuidados intensivos, já fora de perigo.
Entre os sobreviventes da tragédia, encontrava-se uma menina de aproximadamente cinco meses. Estava no colo da mãe, que chegou ao Hospital Américo Boavida em estado grave e que acabou por morrer minutos após ter dado entrada no Banco de Urgência. A única identificação era uma tatuagem no braço, onde se lia “Chorão”. Apesar da tragédia, o culto prosseguia até a uma hora da madrugada.

Balanço da Polícia

O segundo comandante-geral da Polícia Nacional, comissário chefe Paulo de Almeida, fez ontem o balanço das atividades da corporação durante a passagem de ano e lamentou a morte dos crentes da Igreja Universal do Reino de Deus.
Numa conferência de imprensa, Paulo de Almeida afirmou que a Polícia Nacional actua para que situações semelhantes não voltem a acontecer. No balanço, mencionou 47 acidentes de viação, que causaram sete mortes e 47 feridos e danos materiais avaliados em 3,6 milhões de kwanzas. Foram ainda registados 71 crimes de natureza diversa, com 58 detidos.
Paulo de Almeida frisou que 50 crimes foram esclarecidos, o que corresponde a uma operatividade na ordem dos 71 por cento. As províncias de Luanda, Kwanza-Sul e Uíge registaram o maior número de ocorrências.
Paulo de Almeida explicou que a maior parte dos acidentes tiveram lugar nas províncias de Luanda com cinco, Huambo e Cabinda com igual número, e Moxico, Bengo, Kwanza-Sul e Kwanza-Norte, com três.
O Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros registou 17 ocorrências, sendo nove incêndios, quatro afogamentos, duas iminências de afogamentos e um acidente de viação com vítimas encarceradas.
A maior parte dos crimes foram de ofensas corporais, furtos e roubos, sendo que três crimes foram praticados em Luanda com recurso a armas de fogo na via pública.
O segundo comandante geral da Polícia Nacional explicou ainda que três crimes foram cometidos com facas, estando os seus autores detidos, nas províncias de Luanda, Benguela e Lunda-Norte.

* Com André da Costa e adptado por Maciel Frederico

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